COOPERATIVISMO E ENERGIAS SUSTENTÁVEIS NO COLÉGIO NOTRE DAME:
SUA PRÁTICA NOS ESTUDOS DO MEIO DE 2012
A partir da
proposta da UNESCO para o ano de 2012, que é o da Energia Sustentável para
Todos e também o Ano Internacional das Cooperativas, o colégio Notre Dame, em
seus projetos de estudo do meio, enfocou nas citadas diretrizes para inovar a
abordagem nos locais estudados, indo além das questões relativas às matérias
curriculares. De caráter multidisciplinar, os estudos do meio objetivaram a
busca por formas de organização do espaço geográfico que se assemelhassem ao
conceito de cooperativismo, tanto da maneira formal, através de visitação à
cooperativas, quanto pela simples proposta de organização da população desta
localidade. Tal enfoque também tangenciou a prospecção por alternativas
energéticas. Desta forma, os professores realizaram uma pesquisa prévia de
potencialidades espaciais que respondessem as demandas específicas sugeridas
pela UNESCO.
Os resultados desta nova abordagem em estudo do meio
foram:
PROJETO ANGRA DOS REIS/PARATY (RJ)
A saída de
estudo do meio, realizada no mês de agosto de 2012, visitou os municípios de
Angra dos Reis e Paraty, no estado do Rio de Janeiro. Em Angra dos Reis, em
razão do enfoque em fontes de energia, foi realizada uma visitação à Usina
Termoelétrica Almirante Álvaro Alberto, para o aprofundamento na questão do
fornecimento de eletricidade para grandes públicos. Apesar da energia nuclear
não ser vista como uma alternativa em sintonia com o meio ambiente, foram debatidas
as suas potencialides e limitações, sendo concluído que, apesar do risco de
acidente, enquadra-se enquanto energia limpa comparando com outras que utilizam
combustíveis fósseis ou mesmo hidrelétrica em razão do desmatamento e geração
de gás metano (que é mais nocivo à camada de ozônio e efeito estufa do que o
dióxido de carbono).
Em relação à
geração de energia elétrica de forma sustentável, foi realizada a visitação à
comunidade rural de filosofia Hare Krishna “Goura Vrindavana”, no município de Paraty
(RJ). O debate ocorreu no contexto de oferta e demanda de energia para pequenas
concentrações populacionais, em razão de se tratar de um público que, além de
necessitar de pouca energia pela carência de objetos eletrônicos, ter optado
por morar em comunidade que totaliza 20 pessoas e tem no sistema agropastoril e
turismo sustentável as suas fontes de renda. Com um total de 20 MW, a pequena
estação hidrelétrica da comunidade apresenta grande sintonia com as energias
sustentáveis por não ter sido necessário construir barragem e nem represa,
sendo o relevo acidentado propiciado pela Serra do Mar a energia potencial para
o funcionamento da pequena estação de energia. Após um debate sobre filosofia
de vida, escolhas e estratégias de como se conviver no contexto de uma
comunidade, fomos conhecer o maquinário energético.
É
importante ressaltar que a comunidade apresenta estrutura para receber
turistas. Apesar da impressão de que esta atividade resultaria na maior
necessidade de energia elétrica, a própria proposta de um tipo alternativo de
turismo sintonizada com a natureza, se apropriando dela de maneira menos
impactante, faz com que o turista se insira nesta realidade de
sustentabilidade. Isso faz com que não necessite assim de novos empreendimentos
para aumentar a oferta energética.
Além das
energias sustentáveis, o cooperativismo também foi focado nesta visitação. O
debate acerca o modo de vida no contexto de comunidade nos remeteu à questão de
que eles são uma verdadeira “cooperativa cotidiana”. Por terem abdicado das
facilidades do mundo urbano pós-industrial, a ausência de regalias faz com que
a sintonia entre as pessoas torna-se uma real necessidade para a vida em
harmonia. Se a união faz a força, isto é vital para o bom funcionamento do
“Goura”.
Ainda no contexto do cooperativismo, a concretude
deste conceito foi buscada e aprofundada na visitação cooperativa PACOVA
(banana no tronco liguístico tupi-guarani). Esta se trata de uma cooperativa de
produtores rurais de banana que beneficiam a fruta, transformando-a em doce,
conhecido como “mariola”. A gestão desta cooperativa, apresar de horizontalizada
nas tomadas de decisões, é restrita exclusivamente a quem é produtor rural, ou
seja, apenas quem se enquadre enquanto agricultor pode fazer parte deste
organismo. Desde a escolha da fruta até a venda é feita de forma ecologicamente
correta, pois estes devem ser livres de agrotóxico, e o manuseio e embalagem
não apresentam a necessidade de logística reversa, pois apenas um plástico fino
é utilizado para manter o doce livre de contaminação, sem embalagens
secundárias ou adesivos.
Foi realizado um longo
debate entre a presidente da cooperativa e os alunos, sendo abordados tópicos
como volume de produção em um sistema de menor produtividade, estratégias de
venda, sustentabilidade, parcerias, legislação e impactos socioambientais.
Também vale destacar que o colégio Notre Dame foi o primeiro na história da
PACOVA a visitar as suas instalações e promover um debate.